Home Data de criação : 09/12/05 Última atualização : 11/10/18 03:26 / 51 Artigos publicados

...Tempo...  escrito em domingo 21 novembro 2010 10:07


O Calor me perturbava novamente.. Não era algo que eu pudesse chamar de quente... mas sim um calor muito frio. Chamas frias..

Acordei naquela manhã como outro dia normal e vazio de minha vida.. Olhei-me no espelho e me perguntei: "por que eu não posso ser assim como eles, tão automáticos? Por que eu preciso sentir?" O silêncio de minha mente me fez calar. Fui para o Colégio e o dia passou voando como sempre, à tarde fui para a aula de matemática, onde consigo me distrair um pouco e em seguida fui para o inglês.. Débora e Luiz foram lá em casa depois da aula..E meu pai estava bêbado novamente. Ele falava porcarias e incomodava. Luiz não gosta de bêbados e quase implorava em seus sussurros para Débora levá-lo para casa. Quando eles se foram..Meu pai entrou em meu quarto segurando diversos comprimidos -10- de Amytril e os ingeriu em minha frente com uma grande dose de álcool. Ele tentou se matar novamente. Depois de ser socorrido e todos aqueles bombeiros entrando em minha casa eu não fiquei traumatizada e nem tive reação... não por fora. Minha avó está de novo com câncer, e eu não tive reação... não por fora. Ontem... minha bisavó morreu, mas eu já sabia que ela iria morrer. Deixei algumas lágrimas cair, e segurei a emoção. Quando chequei na casa de minha tia avó passei direto e fui para o quarto. Lá, eu me encolhi ouvindo música no máximo, aos poucos algo se fechou em minha garganta me dificultando a respiração, fiz de tudo para conseguir respirar e arfava sem ar, aos poucos minha mãe e minha tia avó invadiram o quarto e começaram a gritar comigo, eu não entendi o que, mas a expressão em seus rostos parecia de pânico. Minha mãe puxou os fones do meu ouvido e afastou tudo da cama, me senti cada vez mais saindo de mim, ela me segurou e tentou me fazer vomitar, mas não tinha nada lá para sair, aquilo estava me matando, gritei em agonia esperando que alguém soubesse como fazer aquilo parar, não parecia eu. Os gritos saiam até eu não ter fôlego e nem força para movimentar um músculo que fosse. Ela me jogou na cama enquanto eu me contorcia em agonia e arfava sem ar. Ela voltou nervosa com uma xícara e me fez ingerir tudo. Aquilo molhou minha garganta e me fez me encolher, meu corpo tremia e arfava baixo. Minha mãe me dizia que ia ficar tudo bem e me perguntava "cadê o seu Deus?" ela queria que eu o encontrasse agora. Mas eu não consegui. murmurei com dificuldade "saia" e ela demorou um pouco para entender. Aos poucos aquele inferno foi me deixando e tudo que restou foi uma grande dor de cabeça e tontura. Minha mãe tirou as minhas roupas e me levou até o chuveiro. Fiquei lá sem me mover e encarei a parede branca enquanto isso. Troquei de roupa em silêncio e minha tia me levou ao médico, ele me receitou um psicólogo e me deu algo para dormir. Desde então eu não consegui falar uma palavra. Todos pedem para eu dizer algo.. mas eu não tenho nada a Dizer...

Fui invadida por um silêncio completo e ele ainda está em mim.

O tempo..não está ao meu favor e nem ao de ninguém.. ele está atrofiado. Principalmente para mim.. Absolutamente para mim. 

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...Ferida...  escrito em segunda 27 dezembro 2010 18:54


Elah : O que está acontecendo? Por que está no chão?

Aly: Porque estou ferida.

Elah:O que feriu você? -ela me examinava parte por parte-

Aly: As palavras. -foi tudo que eu disse-

Elah: Quem as disse para você?

Aly: Um humano. Eles não parecem saber o limite de machucar uma pessoa, ou o quanto palavras doem.

Elah: Por que não se levanta agora e ascende a luz?

Aly: Talvez eu só devesse deixar de existir, Ou talvez devesse apenas continuar vivendo.

Me levantei a abaixei o som. Eu tinha ouvido aquela música o dia inteiro, mas não me cansava dela. nem um pouco. Elah sabia que eu estava mal. Elah sabia que eu sofria por dentro e ela sabia o que eu estava sentindo. E isso a matava tanto quanto eu.

Elah: Não deveria ficar aí. Se levante, desabafe.

Aly: Acho que novamente tem razão.

E então, ela sempre tinha razão e de uma certa maneira isso nos deixava um pouco melhor. Menos feridas.

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...Por trás do espelho...  escrito em segunda 27 dezembro 2010 15:23


Sempre pareci estar correndo, sem saber para que lado estava indo, ou se realmente era o lado certo. Nunca pareci me importar com isso. Em estar perdida, em não saber o que fazer, por que eu sempre arrumava um jeito de sair disso, ou de amenizar a situação. Como se tudo fosse um buraco fundo, onde se joga todos os problemas e não sabem onde foram parar, não se importam como ou onde foram parar lá. 

Nunca me senti tão cansada. Cansada de todos olharem para o que eu mostro ser, olharem para minha face, para meu corpo, para meus olhos e nunca conseguirem enxergar o que existe por trás disso. Nunca conseguirem de fato entender quem é Aly Deans. E eu nunca consegui entender como eles conseguem olhar para mim e dizer :" Você é muito bonita, tem namorado? " ou então " você feriu meu coração, nunca lutei tanto por uma pessoa como lutei por você" Ou até mesmo " você só pensa em si, é tão egoísta" E se eu não pensar? quem irá pensar? E enquanto ao que eu sinto, enquanto ao meu coração? E por que é tão difícil você gostar do que existe por trás de toda essa "beleza" que dizem existir?

É tão fácil olhar para mim e me colocar defeitos tentando me por para baixo, ou como dizem "tentar me ajudar " É tão fácil dizer que eu sou perfeita e tão bonita que pareço um vampiro. E por que não enxergam que eu sou humana? eu não queria, mas sou. Por que não entendem que não é só isso. Defeito e perfeição. Existe mais e eu encontro isso em mim. 

É tão fácil me chamar de convencida, e dizer que eu me acho e que vaidade é pecado. E por que não olham o que eu sinto? Ou invés de olhar meu rosto, por que simplesmente não olham meu coração e entendem de uma vez que eu não ligo para perfeição, ou para quantos me acham bonita ou para quantos gostam de mim. Nada disso vale. Nem mesmo uma pequena porcentagem de consideração. Não vale. Não quero que me vejam meu corpo, e sim minha alma. Quero que parem de me"amar" pelo que eu visto, ou mostro ser. Quero que sintam a minha essência, do mesmo modo que procuro ver a deles.

Quero que parem de me ver como um espelho quebrado, ou simplesmente como um reflexo no espelho.

A verdade é que eu já não me importo com quantas pessoas de fato irão ler isto, ou quantas realmente entendem. Apenas sei que esse não é o fim. Mas eu realmente gostaria que fosse.

... Um eterno fim.  

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....A primeira impressão ......  escrito em quarta 22 setembro 2010 15:53

Acordei com um sentimento de q o dia -para mim- seria indiferente. Não tive vontade de me levantar, nem mesmo de ir a escola. prendi o cabelo em um rabo-de-cavalo e segui na chuva até o carro. Não conversei com ninguém no caminho, e nem encontrei com o Diogo como de costume... estava realmente perturbada. Quase não falei com ninguém.. nem mesmo com as minhas amigas - nem sequer meia hora- prestei atenção nas aulas que pude, em outras voava para longe..estudei para uma prova que teria de tarde, e mesmo assim por dentro eu ainda estava derrubada. Nesse caso o tempo n iria resolver nada... só piorar e talvez se tivesse pena melhorasse.. sinto que meus amigos estão espalhados pelo resto do mundo. Que estão em qualquer lugar... menos aqui, menos do meu lado.. Eu percebi no modo de agir que minhas ideias não seriam aceitas por eles, e q nem mesmo eu poderia ser eu mesma com eles. Meu maior desejo ontem, seria morar com minha mãe. Mas a maior percepção minha, hoje de manhã, onde eu refleti e percebi q n iria dar certo. Percebi q não gostaria de acordar gritando com ela e ela gritando comigo. Ainda de noite e eu estava afastada de meu mundo.. Por que só aqui... só nesse grande vazio.. não sinto. Não sinto o que deveria ser vida em mim.. não sinto minha alma... Apaguei tantos pensamentos, sorri para tantos vazios, chorei para tantos escuros, gritei para tantos surdos.. Não perdi nenhum momento de minha vida.. apenas não o quis elevar meu estagio de vida... Hoje pude ver umas das pobres almas que eu amo na fracassando. A sede incontrolável em seus olhos, e a pessoa que mais amo em minha vida, a pessoa que mais viveu até aqui para mim. Se perguntando o que era a dor que tanto sentia.. e pude responder de má vontade em minha cabeça. "o fim" e ela respondeu em seguida como se toda aflição de meu coração tivesse passado a mensagem para ela. "as vezes eu... Não gosto nem de pensar como é!" Mas agora sei.. que nem o tempo vai curar essa dor.. e que nada nem ninguém vai poder mudar...o modo q me sinto.. é absurdo, mas não é insuportável!
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...Por que nunca haverá alguém?...  escrito em segunda 13 setembro 2010 18:13

..Porque o grande atraso de encarar a realidade é saber que estamos sós.

e terá de ser assim, daqui para a frente... irracionalmente humana.

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