O Calor me perturbava novamente.. Não era algo que eu pudesse chamar de quente... mas sim um calor muito frio. Chamas frias..
Acordei naquela manhã como outro dia normal e vazio de minha vida.. Olhei-me no espelho e me perguntei: "por que eu não posso ser assim como eles, tão automáticos? Por que eu preciso sentir?" O silêncio de minha mente me fez calar. Fui para o Colégio e o dia passou voando como sempre, à tarde fui para a aula de matemática, onde consigo me distrair um pouco e em seguida fui para o inglês.. Débora e Luiz foram lá em casa depois da aula..E meu pai estava bêbado novamente. Ele falava porcarias e incomodava. Luiz não gosta de bêbados e quase implorava em seus sussurros para Débora levá-lo para casa. Quando eles se foram..Meu pai entrou em meu quarto segurando diversos comprimidos -10- de Amytril e os ingeriu em minha frente com uma grande dose de álcool. Ele tentou se matar novamente. Depois de ser socorrido e todos aqueles bombeiros entrando em minha casa eu não fiquei traumatizada e nem tive reação... não por fora. Minha avó está de novo com câncer, e eu não tive reação... não por fora. Ontem... minha bisavó morreu, mas eu já sabia que ela iria morrer. Deixei algumas lágrimas cair, e segurei a emoção. Quando chequei na casa de minha tia avó passei direto e fui para o quarto. Lá, eu me encolhi ouvindo música no máximo, aos poucos algo se fechou em minha garganta me dificultando a respiração, fiz de tudo para conseguir respirar e arfava sem ar, aos poucos minha mãe e minha tia avó invadiram o quarto e começaram a gritar comigo, eu não entendi o que, mas a expressão em seus rostos parecia de pânico. Minha mãe puxou os fones do meu ouvido e afastou tudo da cama, me senti cada vez mais saindo de mim, ela me segurou e tentou me fazer vomitar, mas não tinha nada lá para sair, aquilo estava me matando, gritei em agonia esperando que alguém soubesse como fazer aquilo parar, não parecia eu. Os gritos saiam até eu não ter fôlego e nem força para movimentar um músculo que fosse. Ela me jogou na cama enquanto eu me contorcia em agonia e arfava sem ar. Ela voltou nervosa com uma xícara e me fez ingerir tudo. Aquilo molhou minha garganta e me fez me encolher, meu corpo tremia e arfava baixo. Minha mãe me dizia que ia ficar tudo bem e me perguntava "cadê o seu Deus?" ela queria que eu o encontrasse agora. Mas eu não consegui. murmurei com dificuldade "saia" e ela demorou um pouco para entender. Aos poucos aquele inferno foi me deixando e tudo que restou foi uma grande dor de cabeça e tontura. Minha mãe tirou as minhas roupas e me levou até o chuveiro. Fiquei lá sem me mover e encarei a parede branca enquanto isso. Troquei de roupa em silêncio e minha tia me levou ao médico, ele me receitou um psicólogo e me deu algo para dormir. Desde então eu não consegui falar uma palavra. Todos pedem para eu dizer algo.. mas eu não tenho nada a Dizer...
Fui invadida por um silêncio completo e ele ainda está em mim.
O tempo..não está ao meu favor e nem ao de ninguém.. ele está atrofiado. Principalmente para mim.. Absolutamente para mim.











